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| Santa Teresa – Rio de Janeiro |
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Os bondes do bem
Paulo Pacini
A palavra bonde é uma criação única de nosso idioma, o português do Brasil, e faz parte da história do transporte na cidade do Rio. Após tentativas de curta duração, o bonde inicia sua atividade regular em 1868, com uma linha entre a Rua Gonçalves Dias e o Largo do Machado, através de veículos para 30 passageiros puxados por animais.
O sucesso foi grande, mas havia um inconveniente: para se pagar o preço da passagem, de 200 réis, não havia moedas circulantes em quantidade suficiente. As duas únicas opções eram as raras moedas de prata, ou 5 moedas de cobre de 40 réis, pesadas e inconvenientes. Assim, teve-se a idéia de se vender bilhetes com 5 passagens por 1 mil réis, para os quais havia notas em abundância. A esses cupons a empresa chamava de "bonds", o que em inglês significa título ou obrigação. O nome pegou, foi abrasileirado e estendido para o meio de transporte, doravante chamado de bonde.Em sua trejetória centenária, o bonde levou bilhões de passageiros em inúmeras cidades brasileiras, encerrando sua viagem nos anos 60. Na época, procurava se priorizar todo tipo de transporte movido a motor de combustão interna, exibido como melhor e mais moderno, e que todo o resto, como os bondes, eram relíquias do passado. Muitos acreditaram e ainda acreditam nisso, mas se observarmos o exemplo de outros países, sobretudo os de melhor qualidade de vida, veremos que a realidade é bem diferente daquela que nos impingiram.
Muitas cidades européias e algumas na América do Norte resistiram à devastação proporcionada pela opção rodoviária e conservaram seus bondes. No final dos anos 70, começa um movimento de retomada, através da construção do sistema de San Diego, na Califórnia. Hoje, o bonde, também chamado de VLT (veículo leve sob trilhos), é uma das modalidades com maior crescimento, com novos sistemas sendo inaugurados, alguns recentemente, como o de Charlotte (Carolina do Norte), nos EUA, em dezembro do ano passado.
Longe de ser um anacronismo, a opção pelos bondes é sinal de uma administração pública que valoriza a vida do contribuinte, oferecendo um sistema de transporte confortável, seguro e ecológicamente correto. Com uma capacidade que pode chegar à metade de uma linha de metrô e facilidade de acesso, o bonde pode transformar a vida de cidades de médio e grande porte para melhor, constituindo-se em uma excelente escolha para os desafios urbanos do século XXI.
Jornal do Brasil, 20/10/2008
SANTA TERESA
Expansão sob as ordens do tráfico
Moradores denunciam ao Ministério Público
o crescimento da favela no Morro da FalletRaphael Lima
Moradores do bairro de Santa Teresa, Centro do Rio, denunciaram recentemente no Ministério Público Estadual a expansão do morro da Fallet, que faz parte do Complexo de São Carlos. As novas construções vêm sendo feitas na encostas da Rua Almirante Alexandrino, próximo ao número 1720. Segundo a Amast - Associação de Moradores e Amigos de Santa Teresa - há mais de 100 construções em todo o bairro que já foram denunciadas e os moradores ajudaram a compor uma lista de mais de 150 obras irregulares que estão sendo feitas ou já foram concluídas.
Para chegar à comunidade, os moradores utilizam uma escadaria que tem entrada pela Rua Almirante Alexandrino. Cerca de 100 metros após o início da descida, traficantes já instalaram um ponto de venda de drogas. Segundo moradores do bairro, o local se tornou perigoso, principalmente à noite.
- Hoje em dia eu evito passar por aqui com o risco de tiroteio entre a polícia e os traficantes que se instalaram logo ali embaixo - comentou uma moradora, que preferiu não se identificar.
Segundo Paulo Saad, presidente da Amast, o local não tem apresentado muitos problemas relacionados à segurança, já que a polícia faz patrulhamentos constantes na região e um carro fica sempre estacionado a poucos metros da entrada que vai dar na comunidade.
- Nesta região específica não há tantas reclamações, já que pela proximidade da polícia, os traficantes não tentam intimidá-los. O grande problema que assusta quem mora ali perto, é se não for feito um controle nas construções e aumentarem com o passar do tempo. Aumentando o número de moradores, irá se criar uma maior facilidade para que as pessoas envolvidas com roubos e tráfico tenham maior facilidade em se esconder - comentou Saad.
Ainda de acordo com Saad, em outros pontos do bairro, a violência aumentou nos últimos meses. Na madrugada de sexta-feira para sábado, homens armados roubaram três carros que saíam de uma festa que acontecia no bairro. Esse tipo de roubo vem sendo muito freqüente na região ultimamente.
- Os bandidos vêm preferindo o roubo a pedestres e a carros nos últimos tempos. Muitos deles, oriundos da Lapa, agem principalmente contra os turistas, que não conhecem bem a região e acabam freqüentando locais pouco iluminados, se tornando presa fácil - contou Saad.
De acordo com os últimos números divulgados pelo Instituto de Segurança Pública do Rio, em julho deste ano, foram registrados cerca de 50 roubos e furtos de veículos na região. No mesmo período de 2007, esse número era de pouco mais de 20.
Em Laranjeiras, moradores evitaram surgimento de favela
Há cerca de dois anos, os moradores de Laranjeiras conseguiram que Prefeitura do Rio de Janeiro derrubasse uma pequena comunidade, conhecida como Vila Alice, que existia no bairro. Eram cerca de 100 casas localizadas em uma propriedade privada que ficava dentro de uma Área de Proteção Ambiental.As famílias moravam no local, irregularmente, desde o início da década de 90. Na ocasião, os moradores do Parque Residencial Laranjeiras entraram com uma ação na Justiça pedindo a saída da comunidade, que na época era composta por cerca de 40 barracos.
Em todo esse período de quase 15 anos, o prefeito Cesar Maia mudou de opinião várias vezes quanto a retirada das famílias, até que em 2006, a justiça reiterou a ordem para que as famílias fossem removidas.
Com a derrubada, cerca de 80 famílias que foram cadastradas pela prefeitura receberam uma indenização que girava em torno de R$ 10 mil.
Nova ocupaçãoNo início deste ano, os moradores do bairro começaram a ter problemas com o surgimento de novas construções, feitas por moradores da favela Júlio Otoni, vizinha da antiga Vila Alice.
Na época, o subprefeito da região, Marcelo Maywald, disse que não havia nenhum tipo de construção no local que havia sido desapropriado e alegou que o crescimento observado pelos moradores se devia à expansão vertical da Júlio Otoni, o que aumentava a quantidade de pessoas na encosta. Mas isso não englobava a área da Vila Alice.
Mas, em setembro, a subprefeitura da Zona Sul 2 e a Secretaria Municipal de Obras derrubaram as casas que invadiam o espaço que fora desocupado há dois anos. A obra era feita pelos moradores da Julio Otoni e estava sendo feita nas imediações de um campo de futebol da região. Os responsáveis pelas construções, realizavam a ocupação da região durante a madrugada.
A demolição precisou ser acompanhada por policiais militares do batalhão de Botafogo, que garantiram a segurança dos funcionários da prefeitura que realizavam a remoção das casas.
Jornal do Brasil - 14/10/2008 - Caderno Cidade
A Volta dos bondes
Marcus Quintella *
O primeiro bonde brasileiro surgiu em 1859, no Rio de Janeiro, puxado a burro, fazendo a ligação entre o Largo do Rocio e o Alto da Boa Vista. Em 1862, com a substituição da tração animal pelas máquinas a vapor, os bondes se espalharam pela cidade. Trinta anos mais tarde, em 1892, foi inaugurada a primeira linha de bondes movidos à energia termoelétrica e, em 1896, foram eletrificadas as primeiras linhas, a começar por Santa Teresa e, em seguida, houve uma grande expansão dos bondes na cidade.
Após o advento da eletrificação dos bondes cariocas, em 1892, cerca de 40 cidades brasileiras passaram a contar com sistemas de bondes, tais como Porto Alegre, Pelotas e Rio Grande, Curitiba, São Paulo, Santos, Itatinga, Guarujá, Campinas, São Carlos, Sorocaba, Campos do Jordão, Piracicaba, Niterói, Petrópolis, Belo Horizonte, Juiz de Fora, Recife, Fortaleza e São Luis, entre outras.
De 1950 a 1967, ocorreu a decadência e a desativação dos bondes no Rio de Janeiro, bem como no restante do país, e, a partir de 1968, os bondes passaram a circular apenas no bairro de Santa Teresa. Hoje em dia, existem bondes apenas no Rio de Janeiro, em Santa Teresa, Campos do Jordão e Itatinga, com uma linha em cada uma dessas cidades, além das linhas turísticas de Campinas e São Paulo.
No entanto, após um longo e telebroso inverno de quarenta anos, os bondes estão prestes a ressurgirem nas cidades brasileiras, agora sob a denominação moderna de Veículo Leve sobre Trilhos (VLT). Os VLTs também são conhecidos por streetcar ou Light Rail Vehicle (LRV), nos EUA e Canadá; elétrico, em Portugal; e Tram, abreviação de tramway ou de tranvía, em países da Europa. Na realidade, todos são bondes modernos, que, nos últimos 20 anos, podem ser encontrados na Europa, Estados Unidos e Canadá, em mais de 200 cidades. Na América Latina, existem VLTs apenas em Buenos Aires, Guadalajara e Cidade do México.
Para esclarecer o leitor, o VLT é uma forma de transporte público sobre trilhos com capacidade de transporte e velocidade inferiores aos metrôs e trens urbanos, que, usualmente, utiliza tração elétrica e pode conviver na rua com os outros modos de transporte ou utilizar vias segregadas. Os VLTs atuam numa faixa de capacidade entre 10 mil e 25 mil passageiros/hora/sentido, ou seja, média capacidade de transporte. São veículos seguros, rápidos e confortáveis, integram-se, facilmente, com os sistemas de ônibus e metrô, não poluem o meio ambiente – quando elétricos – e possuem um ciclo de vida de mais de 30 anos.
A volta dos bondes no Brasil acontecerá, inicialmente, por Recife e Fortaleza, com investimentos do Governo Federal, por meio da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), empresa vinculada ao Ministério das Cidades. Os VLTs dessas cidades serão movidos a diesel e trafegarão em vias segregadas. No caso de Recife, serão sete VLTs, com três carros cada um, para o trecho Cajueiro Seco–Cabo, na Linha Sul, cuja licitação já foi realizada e encontra-se, atualmente, na fase de julgamento dos documentos da habilitação preliminar, para, em seguida, entrar na fase da abertura das propostas de preços. Os VLTs de Fortaleza também já foram licitados, com seis VLTs de quatro carros, para o trecho João Felipe-Caucaia, Linha Oeste, e encontram-se na fase de homologação da licitação. Em 2009, a CBTU deverá receber recursos do Governo Federal para investir nas cidades de Maceíó, João Pessoa e Natal, para a substituição das locomotivas a diesel e carros de passageiros por VLTs diesel. Se tudo correr bem, no primeiro semestre de 2010, teremos os primeiros VLTs trafegando em Recife e Fortaleza.
Tudo isso nos transmite um grande otimismo pela volta triunfal dos bondes, não apenas para essas cidades nordestinas, mas também para as demais cidades ou regiões metropolitanas brasileiras que possuam corredores de transporte com carregamentos de média capacidade de transporte de passageiros, tais como aquelas mesmas cidades que já tiveram sistemas de bondes, há 40 anos.
* Marcus Quintella é engenheiroJornal do Brasil, 10/09/2008
Bonde: festa de aniversário e contra a privatização
Raphael Lima, Jornal do Brasil
RIO - O freqüente problema com os bondes de Santa Teresa, no Centro, mais uma vez é motivo de protesto. Hoje à tarde, os moradores vão se reunir para reivindicar a suspensão do processo de modificação para VLT (veículo leve sobre trilho) que está sendo feito em oito bondes, desde 2005, na empresa TTrans, em Três Rios, interior do Estado.Segundo a Secretaria Estadual de Transportes (Setrans), o primeiro bonde reformado deve ser entregue no final deste mês. Os modelos vêm sendo testados numa linha especialmente construída para os veículos.
Os testes em Santa Teresa, ainda de acordo com a secretaria, não evoluíram o suficiente por conta da interferência dos carros e ônibus que passavam nas ruas do bairro.
Outro pedido dos moradores é para que o sistema de bondes, que completaram 112 anos em 1º de setembro, não seja privatizado. A Secretaria de Planejamento abriu uma licitação para contratação de estudo de modelagem para concessão do sistema. Mas segundo a Setrans esse estudo pode apontar que a privatização é inviável. Até o momento está sendo feito apenas um estudo de viabilidade.
Paulo Saad, presidente a Associação de Moradores e Amigos de Santa Teresa, a Amast, reclama da omissão do governo com a questão dos bondinhos. Segundo ele os governantes só visam a questão turística:
– Há 30 anos nós tínhamos mais de 30 bondes, hoje nós temos três funcionando. Com todo esse dinheiro que está sendo usado para realizar essas mudanças, cerca de R$ 1 milhão por bonde, poderia ser feita uma restauração do sistema antigo, o que impediria que os veículos chegassem ao estado que estão. Há três anos tiraram o transporte dos moradores e ainda não há sinal para o término dessa mudança – comentou Saad.
Essa modificação, segundo Paulo, deveria ter sido impedida pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac), que decretou o tombamento dos bondinhos há mais de 20 anos:
– O texto de tombamento era bem claro, já que eram tombados os mecanismos e acessórios, o que tornaria inviável as modificações - declarou.
O Inepac informou que todo o processo de transformação que vem sendo feito é acompanhado por técnicos do instituto. Segundo eles essa modificação é permitida desde que não haja a descaracterização do patrimônio .
Acidentes
Em junho deste ano, um funcionário da companhia que administra os bondes sofreu uma fratura na perna após um acidente durante o trabalho. Wanderlei de Paula Ribeiro, de 51 anos, estava fazendo reparos no bondinho quando este começou a andar e descarrilou.
Jornal do Brasil - 06/09/2008
LUTO PELO BONDE
Moradores de Santa Teresa travam queda de braço com governo estadual que insiste em privatizar os bondinhos.
Associação questiona licitação e vai entrar
na justiça para que linha não seja privatizadaDe nada adiantaram as reuniões, os abaixo assinados e as muitas manifestações que os moradores fizeram se mostrando contrários à privatização dos bondinhos que circulam e atendem aos moradores de Santa Teresa. O governo do Estado insiste na privatização e o único caminho encontrado pelos moradores é entrar na justiça contra a privatização dos serviços. O presidente da Associação, Paulo Saad, adiantou que os moradores estão mobilizados e dispostos a ir às últimas conseqüências contra esse desserviço que querem impor contra os moradores.
A indignação dos moradores aumentou em razão da informação de que a Secretaria Estadual de Planejamento e Transportes havia licitado os serviços da empresa francesa Sistran Engenharia para que essa formulasse um estudo de viabilidade para a concessão do serviço do transporte de passageiros do Sistema de Bondes de Santa Teresa. A informação foi publicada no Diário Oficial do último dia 25.
O caminho encontrado pelos moradores foi o de constituir um advogado que os representará. O primeiro passo será entrar com uma ação civil pública contra o Estado para que seja embargado o processo de privatização. Se de um lado os moradores se mobilizam, de outro, o Secretário de Transporte Júlio Lopes deixa claro que a privatização do sistema é algo inevitável:
- O que precisa ficar claro é que o bonde continua um patrimônio da cidade. O que as pessoas precisam entender é que não é possível o preço da passagem continuar custando R$ 0,60, o que gera uma receita insuficiente para manter esse patrimônio. Este é o primeiro passo para que os bondinhos sejam privatizados. Eles nos apresentarão um projeto que será avaliado pelo governador Sérgio Cabral e, só então, vamos licitar a operação da linha como acontece com o metrô e os trens.
Publicado no jornal Capital Cultural nº 100
Governo reitera a ameaça de privatização do bonde de Santa Teresa para lhe dar destinação turística
"SANTA TERESA
Bonde novo, problemas antigosModelo está em testes há seis meses,
apesar de ter sido inaugurado em novembroFelipe Sáles
Depois de seis meses de inauguração sem transportar passageiros, o novo bondinho de Santa Teresa está novamente na rota de colisão entre moradores e a Secretaria Estadual de Transportes (Setrans). Enquanto a associação de moradores do bairro se prepara para provocar o Ministério Público, a secretaria estipulou para 26 de junho a chegada do segundo bonde. Os dois veículos devem entrar em funcionamento na mesma semana. De acordo com a Setrans, o primeiro bonde protótipo não funciona porque ainda estão sendo realizados testes. Até agora, mais de 150 deles já foram feitos. A expectativa é de que, até o fim do ano, sete outros bondes novos estejam no bairro.
Com dois laptops e sacos de areia representando o peso dos passageiros, cada movimento do novo bonde vem sendo monitorado antes de entrar em funcionamento. Porém, o vice-presidente da Associação de Moradores de Santa Teresa, Sérgio Amaral, questiona se os R$ 800 mil gastos com cada bonde foram em vão. Para ele, o mau planejamento se evidenciou logo na inauguração, em 24 de novembro, quando o bonde não pôde andar porque a caixa de engrenagem batia no chão.
Além disso, segundo Amaral, o novo bonde está engessado pelas estruturas de metal, ao contrário dos antigos veículos cujas madeiras cediam nas curvas. A associação reclama ainda que, com as mudanças nos trilhos, alguns trechos estão muito próximos, podendo causar riscos a quem viaja de pé no bonde. O Ministério Público será acionado para verificar se a mudança nas linhas respeita as normas do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (Inepac), já que as vias, assim como os bondes, são tombados pelo Estado.
- Algumas perguntas ainda estão sem resposta - reclama Amaral. - Por exemplo, toda essa tecnologia não vai ser danificada com os impactos? O bonde moderno não funciona para o morador. Não é rentável e vai danificar o bairro.O diretor de produção da Setrans, Fábio Tepedino, garante que os temores da associação acabam prejudicando os trabalhos. Segundo Tepedino, os testes se encerram segunda-feira e o segundo bonde, previsto para 26 de junho, chegará com os ajustes necessários. Tepedino conta que a rotina do bairro é um dos principais empecilhos na conclusão dos testes.
- Não podiamos criar um ambiente tão particular quanto o de Santa Teresa para fazermos os ajustes necessários, os testes tinham de ser realizados no próprio bairro - explica. - São trilhos que sofrem agressões de caminhões e ônibus, sendo que, há 30 anos, tínhamos um quinto menos carros do que hoje. Já trocamos 30 aparelhos de mudanças de vias, o que nunca tinha acontecido antes.
Só dois bondes funcionam
Hoje existem apenas dois bondes circulando no bairro. Tepedino garante que os sete novos chegarão até o fim do ano, com regulagem ideal de freio e aceleração. Depois de seis meses de teste, porém, o novo bondinho está com forte ruído, mas Tepedino afirma que o problema é apenas de ajuste nas rodas.Ontem começaram as obras para a troca de quatro aparelhos de mudança de vias no Largo dos Guimarães - os últimos que faltam para o cumprimento do contrato com o Banco Mundial, que liberou R$ 8 milhões para a reforma de sete dos 17 quilômetros de vias. Outros R$ 14 milhões foram destinados aos bondes. Tepedino explica que as dificuldades com as obras começam já com a aquisição dos materiais. Ontem, um funcionário do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit) visitou um armazém na Leopoldina a fim de autorizar a utilização de trilhos abandonados nas vias de Santa Teresa.
- Os trilhos não são mais fabricados, tudo é difícil. Tudo mudou mecanicamente e os fornecedores não trabalhm mais com aqueles sistemas - justifica. - Temos um freio muito melhor, vamos economizar 50% em energia e teremos menos problema de manutenção. Isso tudo são normas técnicas que os bondes antigos não cumprem.
Privatização, cogitada pelo governo, assusta moradores
A Associação de Moradores de Santa Teresa (Amast) já se previne: mais de 600 pessoas assinaram um abaixo-assinado contra a possível privatização dos bondinhos, apesar de ser um assunto ainda em estudo pelo governo. A decisão será do governador Sérgio Cabral, mas, se depender do diretor de produção da Secretaria de Transportes, Fábio Tepedino, responsável pela reforma dos bondes, a privatização é um caminho quase inevitável. O primeiro passo para isso, ao lado da reforma dos bondes, será a reconstrução da linha até o Corcovado, cuja licitação será iniciada em três meses.Entre as sugestões de Tepedino está a implementação de um sistema de vale-transporte. Caso a privatização se consolide, outra idéia estudada é cadastrar os moradores para que tenham passagem gratuita.
- A privatização terá de ser discutida - afirma Tepedino. - Não é possível o Estado investir tanto dinheiro e 70% das pessoas não pagarem pelo bonde. Se vai haver concessão, ou não, é o governo que vai decidir. O material ferroviário é extremamente caro hoje em dia, tanto que gastamos R$ 14 milhões. Por isso falam em privatização, mas quem vai pagar isso? Quando tivermos 12 bondes, todo mundo vai continuar andando de graça? É difícil...
Segundo Tepedino, o bondinho faz 100 mil viagens por dia [sic - Nota de JBF. Seria por ano?] no bairro. Para o diretor, o bonde não é um transporte de massa, mas um transporte turístico para agregar valores turísticos a Santa Teresa.
Linha até o Silvestre
Já está pronto o projeto de licitação para a linha Silvestre, que ligará o bonde ao Corcovado. A licitação ocorrerá dentro de três meses. A secretaria estuda ainda revitalizar as estações para os turistas.- Só a licitação será demorada - diz. - A linha é nova, só faltam as vias aéreas, que foram furtadas. Poderemos explorar uma atividade turística.
Hoje o preço da passagem do bondinho é de R$ 0,60 e quem viaja de pé não paga. Para o vice-presidente da Amast, Sérgio Amaral, mais do que um veículo para os moradores, o preço baixo é a integração perfeita para as características turísticas do bairro.
- Nosso turista tem a característica de se integrar com o cotidiano do bairro e dos moradores e isso pode se perder - teme."
Jornal do Brasil, sexta-feira, 09.05.08 - página A16 do Caderno Cidade
A conjuração carioca
Movimento pelo boicote ao IPTU- derrama do prefeito
César Maia não é questão de grana, mas de cidadaniaSérgio Augusto
SÃO PAULO - Um jornalista estrangeiro conversa com uma turma de cariocas num boteco do Rio. A certa altura, pergunta o que eles acham do prefeito César Maia. Ninguém se manifesta. Quando o jornalista vai embora, alguém da turma o segue até a esquina mais próxima, segura-lhe o braço e, colado ao seu ouvido, propõe: "Se quiser saber o que eu acho do César Maia, me encontre daqui a duas horas no ancoradouro dos pedalinhos da Lagoa Rodrigo de Freitas". O gringo chega pontualmente ao encontro, os dois embarcam em silêncio num pedalinho e, quando alcançam, sozinhos, o meio da lagoa, o brasileiro, após olhar desconfiado para todos os lados, sussurra no ouvido do jornalista: "Não conte a ninguém, mas eu acho César Maia um grande prefeito".
Acabo de traduzir e adaptar uma velha piada sobre o "prestígio" de Stalin entre os russos.
Só mesmo às ocultas um habitante do Rio de Janeiro teria coragem de revelar sua satisfação com a administração de César Maia; se é que ainda existe algum morador do Rio satisfeito com o que o herdeiro de Brizola vem fazendo (ou melhor, não vem fazendo) há mais de uma década à frente da prefeitura.
Em tudo quanto é canto, só ouço e leio espinafrações ao alcaide carioca, já qualificado pelos leitores dos dois principais diários da cidade de, abram aspas: omisso, inconseqüente, mentiroso, relaxado, descuidado, preguiçoso, incapaz, cúmplice da ilegalidade, prefeito virtual (sobretudo por passar mais tempo blogando do que prefeitando), dorminhoco, cínico, debochado e Maquiavel terceiro-mundista, fechem aspas.
Uma boa síntese do sentimento geral da população do Rio em relação ao prefeito foi o e-mail que, no dia 6 de janeiro, o cidadão carioca Zalmir R. Padrão Jr. enviou à seção de cartas de O Globo: "É com muita alegria que entro neste ano de 2008 sabendo que será o último da gestão César Maia. Serão 12 anos de incompetência em administração". Ou 16 anos, se incluirmos a gestão intermediária de seu ex-secretário de urbanismo, Luiz Paulo Conde.
Caos urbano é uma calamidade internacional, mas o Rio, sitiado por favelas e degradado por mil e uma mazelas (sujeira acumulada, galerias entupidas, trânsito desordenado, ocupação irregular de calçadas, praças e outras áreas públicas por carros, bicicletas, motos, quiosques, barracos, mendigos, assaltantes e flanelinhas, ruas esburacadas e sem luz, transportes coletivos pífios e gangsterizados, educação decadente, zorra dominical nas praias mais nobres da Zona Sul, etc), virou um caso - ou um escândalo - à parte.
Verdade que a singular floresta que emoldura e embeleza a cidade já vinha sendo destruída quando César Maia assumiu a prefeitura pela primeira vez, em 1993. Mas ele nada fez de concreto para sustar a metástase. Ao contrário, só a realimentou ao acabar, há pouco mais de três meses, com a Gerência de Operações Especiais, da Secretaria Municipal de Urbanismo, espécie de força-tarefa de fiscais da prefeitura para identificação de loteamentos clandestinos. Eram do governo do Estado os fiscais que, às vésperas do ano-novo, intervieram na farra de ocupações e construções ilegais em área de preservação ambiental do Leblon, no Morro Dois Irmãos, estopim de um processo do Ministério Público contra a prefeitura, a que o prefeito reagiu com desrespeitoso desdém.
O que fazer com um prefeito assim? Submetê-lo a um processo de impeachment, conforme já sugeriram? Não, com a nada confiável Câmara de Vereadores do Rio. Afetar seu fluxo de caixa, para impedi-lo de tocar obras meramente eleitoreiras às vésperas das eleições de outubro? Boa. Mas como melar o habitual modus faciendi do prefeito?
Quando, pouco antes do Natal, confirmou-se que o IPTU deste ano teria um reajuste de 4,36% e a redução para quem pagasse a cota única não mais seria de 10%, e sim 7%, a lâmpada se acendeu. A saída era a desobediência civil, sob a forma de insurreição fiscal. Em poucos dias o movimento pelo boicote ao IPTU, antes circunscrito aos condôminos de um edifício atingido por uma bala perdida no Alto Leblon e à associação de moradores da Fonte da Saudade, às margens da Lagoa Rodrigo de Freitas, injuriados com a expansão descontrolada da favela do Morro dos Cabritos, ganhou as ruas e multiplicou adesões em mais de uma dezena de bairros.
IPTU sem a devida retribuição por parte da prefeitura não é imposto, é derrama, alegam os integrantes da conjuração carioca, que marcaram uma manifestação na orla do Leblon para hoje, às 9 horas, cujos desdobramentos ninguém pode prever. Muito menos o prefeito, que persiste em sua tática de zombar da rebelião e minimizar seus efeitos.
A primeira palavra de ordem (depositar o imposto em juízo) acabou descartada, pois o montante depositado em juízo poderia ser sacado pela prefeitura mediante uma liminar, enquanto a ação estivesse sendo discutida. Além disso, o contribuinte teria de pagar custas, honorários de advogados, e ainda correr o risco de perder a ação. A segunda sugestão (adiar o pagamento de todas as cotas até novembro e arcar com os 24,75% de juros de mora) seduziu mais gente e parece ter emplacado. Até quem não dispõe de recursos suficientes para bancar a multa de 24,75% se mostrou disposto a fazer algum sacrifício.
Diante dessa ameaça, o prefeito, com a soberba que o caracteriza ("Até me esforço para a prefeitura não ficar com o cofre cheio, mas não consigo", gabou-se em dezembro, ao consignar os recordes na arrecadação do Imposto de Transmissão sobre Bens Imóveis, que aumentou 21%, e do ISS, que subiu 17%), vangloriou-se do lucro que teria com a multa cobrada em novembro. Possivelmente preocupado com o fato de que a dinheirama dos juros só entraria nos cofres da prefeitura depois das eleições, partiu para a ameaça de cortes em serviços essenciais afetos à prefeitura, como se isso fosse fazer alguma diferença.
O prefeito não entendeu que a questão não é de grana, não é deixar a prefeitura sem arrecadação, mas um protesto político, uma afirmação de cidadania, uma maneira de o contribuinte proclamar, de forma coletiva e veemente, que sua administração, mesmo com o cofre cheio, tem sido um desastre.
O Estado de São Paulo - 20/01/2008
Polícia faz operação para inibir assaltos em Santa Teresa
Celso BritoAgentes da 7ª DP (Santa Teresa) e policiais do 1º BPM (Estácio) deflagraram, na madrugada desta sexta-feira, a Operação Integração, que vem sendo realizada no bairro de Santa Teresa desde agosto, orientada a partir do tipo de delito praticado na área.
O objetivo, de acordo com o titular da delegacia de Santa Teresa, delegado Marcos Antonio da Silva, é impedir novos assaltos como o ocorrido na madrugada desta quinta-feira, quando oito homens armados assaltaram pelo menos cinco pessoas na Rua Monte Alegre.
A operação, que teve início à 01h30 - mesmo horário do ataque dos bandidos na madrugada anterior - começou também pela Monte Alegre, onde carros, motos e transeuntes foram abordados e revistados.
A operação foi elogiada por algumas das pessoas abordadas pela polícia, entre elas o segurança Wagner Vilela, 29 anos, morador de Santa Teresa, que foi abordado quando subia a ladeira. Segundo ele, a ação servia para dar uma garantia da presença da polícia no bairro o que certamente inibiria as ações dos bandidos que circulam na área.
Outro que elogiou foi o taxista Ronaldo da Silva Alves, que disse ser importante justamente para impedir que os bandidos circulem livremente pelo bairro como o ocorrido na madrugada passada.
Um morador de Santa Teresa, que estava no primeiro táxi abordado durante a operação, elogiou a operação, mas criticou a forma de abordagem: "Eles perguntaram onde estava a arma. Ora, é preciso saber abordar. Eu nem ao menos conheço armas", criticou.
O delegado Marcos Antonio da Silva, que participou da operação, disse que a esta estava sendo realizada de madrugada por causa da mudança do foco. Quanto às investigações dos assaltos ocorridos na madrugada de quinta-feira, Marcos Antonio disse que foi instaurado um inquérito e que a polícia já sabe de onde é a quadrilha, que roubou os dois carros, usados nos assaltos, no Centro do Rio. "Temos mais informações a respeito desses bandidos, mas prefiro não falar porque pode atrapalhar nossas investigações", disse o delegado.
O Dia On Line- 21/12/2007
Santa Teresa recebe o primeiro bonde restaurado neste sábado
Rio - O primeiro bonde inteiramente restaurado está de volta aos trilhos do bairro mais charmoso da cidade. Neste sábado, dia 24 de novembro, a Secretaria de Transportes e a empresa T'TRANS, responsável pela restauração, vão entregar à Santa Teresa o primeiro de oito bondes que foram levados para a reforma, em Três Rios. O bonde novo chegará à Santa Teresa numa carreta de 17 metros de comprimento e contará com a ajuda de um trator e cabo de aço para ser recolocado nos trilhos. A carreta estará estacionada no início da rua Joaquim Murtinho.
Em seguida, o bondinho será puxado até a oficina do sistema, na rua Carlos Brandt, no Largo dos Guimarães, onde receberá os últimos ajustes. Durante os próximos vinte dias, o bonde reformado circulará apenas para teste, o que vai garantir a segurança das viagens. Apesar de manter o estilo que remete ao Rio antigo, o novo bonde é, na verdade, um veículo arrojado e moderno, com plataforma de VLT (Veículo Leve sobre Trilhos). Esse tipo de carro possuiu motor mais potente e consume 40% menos energia.Com suspensão nova e moderno sistema de freio a disco, a viagem para os milhares de passageiros que utilizam o transporte mais charmoso da cidade vai ficar mais segura e confortável. Para manter a características originais do bonde, uma vez que ele é tombado pelo INEPAC, o Instituto Estadual do Patrimônio Cultural, a empresa vencedora da licitação internacional desmontou peça por peça restaurando o visual da carroceria e aplicando a mais alta tecnologia no sistema de tração e frenagem.
O Dia On Line – 23/11/2007

Associação de Moradores acusa Secretaria
de Transporte de mudar projeto inicialUma pendenga sobre trilhos
Renata Ramos *
Com mais de 100 anos de existência, os famosos bondes que ligam o bairro de Santa Teresa ao Centro da cidade estão causando conflitos entre a Associação de Moradores e Amigos de Santa Teresa (Amast) e a Secretaria Estadual de Transportes. O presidente da associação, Paulo Saad, reuniu mais de 2 mil assinaturas de moradores do bairro para um abaixo-assinado que reivindica a conclusão das obras que, segundo alega, deveriam estar prontas no início de 2006. Além disso, os moradores são contra a privatização da linha de transporte coletivo.
Em 2004, os bondes elétricos foram incluídos no Programa Estadual de Transportes que prevê R$14 milhões para a restauração dos bondes e R$ 9 milhões para a recuperação da via permanente. Atualmente, apenas três - segundo nota da Secretaria - dos 14 bondes estão em funcionamento no bairro e algumas ruas permanecem interditadas, o que está gerando a indignação dos moradores. Segundo Saad, são dois bondes em funcionamento.
- Na proposta de projeto que fizemos, toda a linha fixa seria restaurada, além da inclusão de mais cinco bondes para melhor atender à população do bairro. No entanto, o projeto inicial foi modificado e a Secretaria alega que não há mais dinheiro - reclama Saad, que enviou o documento com as assinaturas para órgãos federais, estaduais e municipais.
Em nota, a Secretaria de Transportes explica que boa parte do dinheiro é proveniente de um financiamento do Banco Mundial (Bird) e que a defasagem cambial com a queda do dólar suspendeu o pagamento e modificou o valor do contrato inicial. O órgão afirma ainda que desde o início da gestão atual, o secretário de transportes Júlio Lopez está tentando renegociar o valor do contrato para que as obras sejam totalmente concluídas.
O abaixo-assinado manifesta o descontentamento dos moradores com a possibilidade de privatização do transporte, além de evidenciar a preocupação com qualquer destinação turística para os bondes, o que, como explica Saad, poderia atrapalhar a rotina do bairro.
- Temos certeza de que se os bondes forem administrados por uma empresa privada, os intervalos entre as saídas serão bem maiores. Além do desrespeito à gratuidade que percebemos nos ônibus e que, provavelmente, acontecerá nos bondes também critica Saad que ainda reclama sobre a utilização de bondes exclusivos para turistas.Moradores são contra privatização e a utilização
do transporte apenas para fins turísticos- Não sabemos o que essa parte do projeto quer dizer. Nossa preocupação é que a determinação prejudique ainda mais a qualidade do transporte, além de ser uma atitude de exclusão. Os turistas devem conhecer o trajeto do bonde junto com os moradores. A Secretaria de Transportes nega qualquer plano ou projeto de privatização do sistema de bondes e não confirma a utilização de carros exclusivos para turistas. - Não há destinação turística específica e sim um plano de revitalizar e preservar o sistema para que o transporte continue atraindo a atenção de quem visita o Rio de Janeiro.
Localizada em Três Rios, a oficina responsável pela reforma dos bondes dará ao tradicional transporte de Santa Teresa uma nova tecnologia para rodar pelas ladeiras. O problema, segundo a associação de moradores, é que os trilhos e ruas continuam desnivelados e ainda com suportes antigos.
Para Saad, apenas 20% da via permanente está sendo modificada, diferentemente do objetivo dos moradores que querem uma reforma total.
Essa tecnologia avançada é uma aventura irresponsável e, pelo que percebemos, causou a utilização de grande parte do dinheiro. Ela compromete a existência do bonde, pois não será compatível com os trilhos antigos e mal conservados.
A Secretaria afirma que a tecnologia escolhida para a renovação dos bondes não prejudicará o bairro e sim beneficiará os moradores, pois o novo motor permite que o bonde seja adaptável ao trânsito urbano, assim como ocorre em países europeus.
- O novo sistema transformará o bonde em um veículo leve sobre trilhos, o que oferecerá mais conforto e segurança para o.usuário explica, em nota, a secretaria, que nega a informação dos presidente da Associação de que serão reparados apenas 20% dos trilhos. A secretaria garante que será feita reforma de 40% do total de 15 quilômetros de trilhos, além da restauração de 400 metros de via.
Entre as reinvindicações dos moradores de Santa Teresa consta também sistema de integração entre bondes, ônibus e metrô, através da utilização de um bilhete único, assim como já ocorre com o metrô na superfície. Segundo a Secretaria, a possibilidade de integração dos transportes é viável e será analisada pelo órgão .
* Publicado no JB, 12/11/2007
Santa Teresa comemora 257 anos
Clique aqui e leia matéria publicada no jornal O Povo
Três Rios reforma Bonde de Santa Teresa
O primeiro bonde do sistema de transportes de Santa Teresa de um lote de cinco unidades que está sendo reformado pela T’Trans será entregue até o final deste mês. Antes disso, o governador Sérgio Cabral vai conhecer as instalações da empresa localizada em Três Rios, na região Centro-Sul fluminense, e completar a agenda cancelada desta quinta-feira 18/10, que previa ainda o lançamento da pedra fundamental do Condomínio Empresarial da Barrinha. A reforma do sistema de bondes inclui a recuperação do madeirame (em peroba), as ferragens e as cores originais dos bondinhos, além de modernizar as partes elétrica e mecânica, freios e truque (sistema metálico que sustenta os motores de tração, eixos e rodas), oferecendo maior segurança e eficiência ao transporte no bairro de Santa Teresa.
Diário do Vale - Volta Redonda,RJ,Brasil
Obra em Santa Teresa
Sem bondinhos, moradores andam a pé
Clique aqui e leia matéria publicada em O Globo
Onde o Rio parece uma cidade do interior
Rodrigo Camarão
Trânsito, buzina, corre-corre, violência, todo transtorno da metrópole fica para trás. Basta virar uma esquina ou atravessar um portão para ouvir o canto dos pássaros ou a atividade incessante dos micos na copa das árvores. A Cidade Maravilhosa está cheia de recantos pouco explorados pelo carioca, onde é possível sair do Rio sem efetivamente deixar a capital. Uma capela em plena Rua São Clemente, uma das principais de Botafogo, um parque em Santa Teresa onde é possível ter uma visão privilegiada do Rio em 360 graus. Uma reserva de Mata Atlântica escondida ao lado de uma das estações do metrô de Copacabana, ou um bairro inteiro que surge atrás de um portão de quase um século no Catete. A cidade reserva surpresas dignas de um turista da gema.
Na Belle Époque, no início do século 20, Laurinda Santos Lobo ficou famosa por realizar concorridos saraus no casarão que fora de seu tio, o médico homeopata e ex-ministro da Fazenda Joaquim Murtinho Nobre, em Santa Teresa. As festas no alto do Morro Chácara do Céu atraíam artistas, intelectuais, como o francês Anatole France, e davam muito assunto para o cronista João do Rio. Dele, Laurinda recebeu a alcunha de Marechala da Elegância sem perder a pose. Anos depois, a mansão ficou abandonada. Passou a ser freqüentada por um público muito diferente: mendigos, traficantes de drogas. Até 1996, o Parque das Ruínas não passava de uma grande casa caindo aos pedaços e um pequeno campo de futebol improvisado. Contam-se no bairro histórias de saque às obras-de-arte, que um dia foram de Laurinda, e até a um piano de cauda. Reza a lenda que o instrumento estaria enfeitando alguma casa da Rua Murtinho Nobre, onde fica o parque.
A pedido da vizinhança, a prefeitura interveio no lugar. Os traficantes e mendigos foram expulsos. O município reconstruiu parte do casarão e combinou o estilo neoclássico com armações de ferro e vidro modernas. De terça a domingo, das 8h às 20h, o Parque das Ruínas é aberto à visitação gratuita, com segurança. A Secretaria das Culturas promove no lugar exposições, peças de teatro e shows. Foi no último andar do casarão que, depois de enfrentar o labirinto de tijolos do interior da antiga casa de Laurinda Santos Lobo, a pedagoga Paula Alessandra Nunes de Oliveira, 32 anos, se maravilhou. Nascida na cidade maranhense de Caxias, assim como o poeta Gonçalves Dias, ficou seduzida com a vista.
- Estou encantada com isso aqui. Pena que não trouxe minha máquina - lamenta a desprevenida Paula, já que a vista chega aos Arcos da Lapa, Enseada de Botafogo, Centro, Glória e alcança Niterói.
- Dá uma sensação de paz. Durante o dia, é imperdível - derrete-se a mineira Giovana Pereira de Lima, 32 anos. A garçonete mora há 14 anos no Rio e costuma escolher o parque para passar o tempo.
A autônoma Marília Mattos, 56 anos, moradora da Rua Murtinho Nobre, resume numa voz arrastada:
- Aqui parece uma pacata cidade do interior.Paz em Santa Teresa
Os tempos de movimento do Largo do Curvelo, em Santa Teresa, limitam-se ao carnaval. No resto do ano, a casa navio, inspirada em um convés, domina o cenário e é a primeira construção da Rua Almirante Alexandrino. Do outro lado da rua, a Estação Curvelo é parada dos bondinhos, símbolo do bairro. A Polícia Militar montou um policiamento comunitário na região. José Mariano Ferreira, 66 anos, mora na Rua Paula Matos no Catumbi e sobe todos os dias ao Largo do Curvelo. Vai deixar o filho de oito anos na Escola Machado de Assis ao meio-dia e não volta antes das 16h40, quando acaba a aula. Vinte a quatro tampinhas de garrafas pet - 12 azuis e 12 vermelhas - substituem as peças no tabuleiro desenhado na mesa de pedra.
- Os amigos se encontram aqui. Ficamos jogando damas - conta José Mariano.
O motorista aposentado Antônio Gonçalves, 79 anos, mora desde 1980 em Santa Teresa. A praça do Largo do Curvelo o faz lembrar a cidade natal, Além Paraíba, em Minas Gerais, divisa com o Rio.
- Gosto de ficar aqui. Parece uma cidade do interior e ainda me sinto relativamente seguro - pondera o aposentado, que brinca com o jovem Gabriel Pereira Duarte, 10 anos.
- Todo mundo pára aqui para pedir informações. É melhor que o Largo dos Guimarães
- provoca Íris Gerbassi Scofano, 85 anos, moradora de Santa Teresa há meio século. A acompanhante Ivanilde Josefa Sales, 56, faz coro:
- O Largo do Curvelo dá uma paz muito grande.
Jornal do Brasil - 14/10/2007
Mais segurança em Santa Teresa
Esquema de policiamento previsto para o verão foi antecipado por causa da onda de violência
Carla Marques
Rio - A onda de assaltos que aterroriza moradores de Santa Teresa, noticiada semana passada por O DIA, fez com que a polícia antecipasse a implantação do novo esquema de segurança,previsto inicialmente para o verão. Com o nome de Operação Integração, o reforço será de 70 homens do 1º BPM (Estácio), 7ª DP (Santa Teresa) e Guarda Municipal.
A partir de dados da Polícia Civil, cinco ruas e trechos considerados críticos serão alvo de blitzes em dias e horários alternados. Os locais são: ladeiras de Santa Teresa e do Castro; as ruas Monte Alegre e Joaquim Murtinho; e o Largo dos Guimarães. Em outros três endereços — ruas Cândido Mendes e Santa Teresinha e o local conhecido como Portinha —, haverá patrulhamento 24 horas por dia.
A ação integrada entre as três corporações para tentar reduzir a violência em Santa Teresa começou há dois meses, mas foi intensificada ontem. Em sete horas, duas motocicletas e um Monza foram apreendidos. Todos os veículos estavam com problemas de documentação.
“Motos costumam ser usadas na cobertura de assaltos. Quando estão irregulares, sem placas, atrapalham a identificação dos bandidos”, observou o delegado titular da 7ª DP, Marcos Antônio da Silva. Durante as blitzes pelo bairro, policiais também entraram em ônibus e revistaram passageiros.
ESTATÍSTICAS
Segundo estatísticas da Polícia Civil, este ano houve oito assassinatos e cinco tentativas de homicídio no bairro. Em agosto, a polícia registrou nove roubos a turistas, seis de veículos e 13 a pedestres — uma redução de 18% em relação ao mesmo período do ano passado.
Para o tenente-coronel Carlos Norberto Mendes, comandante do 1º BPM, em comparação com áreas vizinhas, os índices de crimes em Santa Teresa são baixos. “Porém, como é um bairro turístico, chama mais atenção”, afirmou o oficial.
“Turistas são presas fáceis no bairro, cuja área é labiríntica, o que facilita a fuga de bandidos. Além disso, as pessoas ostentam câmeras fotográficas. Dois ou três homens desarmados conseguem roubar”, disse Mendes. Para o comandante, agências e guias turísticos deveriam fornecer mais informações para os visitantes do bairro, como horários e roteiros mais seguros.
Mobilização contra o toque de recolher
O terror provocado pelos bandidos obrigou os moradores de Santa Teresa a exigir providências urgentes. Semana passada, a associação de moradores reuniu-se com representantes da PM e da Polícia Civil.
Como O DIA revelou no dia 5, ladrões que agem no bairro usam até códigos desenhados — como a figura de um gato — em postes para indicar as casas que, supostamente, seriam mais fáceis de ser invadidas.
A família da advogada M., 62 anos, por exemplo, já foi assaltada 11 vezes em 12 meses. Foram oito invasões à residência e três roubos na porta da casa.
No bairro, o entroncamento das ruas Joaquim Murtinho e Francisco Moratori foi batizado ironicamente de Triângulo das Bermudas, tantos são os casos de violência. “Os ladrões impuseram até toque de recolher. Depois das 17h30, poucos se arriscam a sair de casa” contou um morador, afirmando que os bandidos quebram lâmpadas de postes para escurecer as ruas.
O Dia On Line – 11/10/2007
Operação combate roubo e tráfico
de drogas em Santa Teresa, no RioUma operação integrada entre policiais militares, policiais civis e guardas municipais realiza, nesta quarta-feira, incursões em vários pontos do bairro Santa Teresa. O objetivo, segundo a polícia, é combater o tráfico de drogas e o roubo a moradores e turistas.
Segundo o delegado Marcos Antonio da Silva, titular da 7ª DP (Santa Teresa), as operações envolvendo as três forças vêm sendo feitas semanalmente desde agosto, sempre em dias e horários diferentes. "Com base em nossos dados estatísticos, procuramos fazer ações de prevenção nos locais com maior incidência de ocorrências, principalmente de roubos", afirmou.
O balanço da incursão de hoje se resumiu à apreensão pelos guardas de seis motos com irregularidades, como falta de placa ou de documentação. "É uma ação importante, pois as motos irregulares são usadas em ações de roubo", disse o delegado.
Folha Online – 10/10/2007
Bondinhos abandonados
Um patrimônio do Rio está se deteriorando: os tradicionais bondinhos de Santa Teresa. Poucos bondes estão circulando, o que prejudica os moradores, o turismo e a economia do bairro.
Eric mora em Santa Teresa e trabalha no Centro. Há dois anos, o diretor de artes desistiu de usar o bonde, que já foi o principal meio de transporte dos moradores do bairro.
Segundo ele, o bondinho demora a passar e, para não se atrasar, o jeito é pegar um ônibus. Um gasto a mais, já que a passagem do bonde custa R$ 0,60 e a do ônibus, R$ 2. “Eu gastava R$ 24 por mês, agora eu gasto R$ 80. Fora o fato de que o bonde é um passeio, é um prazer ir para o trabalho de bonde”, afirma Eric Saboya.
“Vou pegar a primeira coisa que passar, geralmente não é o bonde”, confirma uma outra passageira. E ela acaba entrando mesmo no ônibus. Quem consegue pegar o bonde também reclama do longo tempo de espera e da falta de conservação.
“O bonde das 9h tem goteira, o bonde das 11h tem goteira, o das 12h também”, reclama um passageiro.
“Poderiam estar melhores e ser de 15 em 15 minutos”, deseja uma jovem.
No mês passado, o sistema de bondes de Santa Teresa completou 111 anos. Mas um dos mais importantes patrimônios históricos e turísticos do Rio funciona de forma precária. Andar de bondinho não tem o mesmo encanto e não atrai mais tantos visitantes.Segundo a comerciante Mara de Almeida, que trabalha em uma loja de artesanatos, as vendas poderiam ser melhores. “O comércio perde no momento em que não só os turistas estrangeiros, mas os turistas nacionais que adoram Santa Teresa também não vêm. No todo, o bairro perde.”
Nossa equipe encontrou funcionários que faziam o trabalho de manutenção dos trilhos. O maquinista confirmou que apenas dois bondes estão circulando e o intervalo é de meia hora.
Há três anos, a Secretaria Estadual de Transportes fechou um contrato de financiamento com o Banco Mundial no valor de R$ 22 milhões, sendo R$ 14 milhões apenas para a restauração dos bondinhos. Oito, de uma frota de 14 bondes, foram levados para o município de Três Rios, no sul do estado, onde seriam consertados e revitalizados.
Segundo a Associação de Moradores e Amigos de Santa Teresa, o prazo para a conclusão terminou em março deste ano, mas até hoje nenhum deles foi trazido de volta.
“O governo, sem nos avisar, mudou o projeto. Resolveu fazer uma mudança tecnológica no bonde, que ninguém aqui em Santa Teresa aprovou. Mesmo o projeto que não passou pela consulta popular, ainda assim, eles não conseguem executar o que eles mesmos pensam”, reclama Paulo Saad, presidente da associação.
RJ-TV 1ª Edição - 09/10/2007
Jovem é esfaqueado na Lapa
Moradores de Santa Teresa reclamam do grande número de assaltos, no bairro. Neste sábado, na Lapa um jovem foi morto com um canivete durante uma briga, de madrugada.
Em uma travessa da Lapa, no Centro do Rio de Janeiro, 15 amigos bebiam. Eles dizem que uma máquina fotográfica desapareceu e um homem que estava perto foi apontado como suspeito. Os rapazes foram tomar satisfação e houve tumulto.
O suspeito do roubo, Carlos Humberto Castello Branco Gonçalves Filho, de 44 anos, reagiu usando um canivete. Na briga, João Paulo Pereira, de 26 anos, foi esfaqueado e chegou morto ao hospital. Ele foi enterrado na tarde deste sábado.
O amigo que também ficou ferido pediu para não ser identificado. Estava emocionado e revoltado.
“Até agora não da para acreditar, uma vida, R$ 300, R$ 500, que foi embora”, desabafou o amigo.
Fabiano Farias de Souza, de 26 anos, que também foi esfaqueado, continua internado em estado grave.
O agressor foi preso e com ele a polícia encontrou duas facas e um cassetete. A máquina fotográfica, que deu origem à violência, não foi achada.
Santa Teresa, bairro vizinho da Lapa, também sofre com a violência. Moradores denunciam que há uma escalada de assaltos a pedestres, residências e roubos de carros.
Segundo os números oficiais da Secretaria de Segurança, neste ano já houve no bairro 38 assassinatos, 47 roubos em coletivos, 411 roubos a pedestres e 125 roubos de carros.
Mas as maiores reclamações dos moradores são dos assaltos a casas e apartamentos, principalmente nas ruas que dão acesso ao Centro da cidade e à Lapa.
Uma vítima conta que, em apenas um ano e meio, já sofreu vários assaltos.
“Entre tentativas e verdadeiras invasões foram 11 ocorrências”, contou ela.
A equipe do RJTV flagrou uma bolsa no telhado. Segundo vizinhos, teria sido jogada por assaltantes que agiram poucas horas antes.
O representante da Associação de Moradores de Santa Teresa, Vicente Sabato, diz que já encaminhou para a polícia uma relação das ruas mais perigosas de Santa Teresa. Moradores pedem o aumento do número de policiais no bairro.
“Policiamento ostensivo com a inteligência. Porque somada as duas coisas, havendo as duas coisas, nós acreditamos que Santa Teresa será bem guardada em termos de segurança”, afirmou o representante da associação.
A Polícia Militar informou que 53 PMs fazem o policiamento em Santa Teresa e que vai fazer modificações no patrulhamento, a partir de sugestões dadas pelos moradores.
O acusado de ter matado o jovem na Lapa informou que só fala em juízo. O advogado dele vai alegar legítima defesa e na segunda-feira pretende entrar com um pedido de liberdade provisória.
RJ-TV 2ª Edição - 6/10/2007
Barreiras contra assaltos
Moradores se mobilizam para instalar cancelas em ruas para tentar conter onda de violência
Francisco Edson Alves
Rio - Assustados com a onda de assaltos a casas, lojas e pedestres, como O DIA mostrou ontem, moradores de Santa Teresa estão se mobilizando para contratar seguranças particulares e colocar cancelas nas ruas do bairro. Em pelo menos três delas — Monte Alegre, Paschoal Carlos Magno e Teresina —, já começaram as negociações para instalação de barreiras, com o custo mensal de R$ 40 para cada família.
Na noite de quinta-feira, enquanto 50 representantes da comunidade se reuniam com o comandante do 1º BPM (Estácio), tenente-coronel Carlos Norberto Mendes, para pedir mais segurança, um arquiteto que tem escritório na Rua Sílvio Romero teve o carro levado por dupla com pistolas.
POLÊMICA
A intenção de se recorrer à segurança privada, porém, é motivo de polêmica. A Associação de Moradores e Amigos de Santa Teresa (Amast) e a polícia são contra a medida. Em seu site, a direção da Amast diz não concordar com a iniciativa “por entender que a segurança pública é um direito do cidadão e um dever do estado”. Para o comandante, “supostas soluções alternativas” podem aumentar ainda mais o problema.
“Uma pessoa despreparada não tem capacidade de cuidar da segurança de ninguém”, pondera.
Na Travessa do Oriente e na Rua Fonseca Guimarães, já existem cancelas e vigias 24 horas por dia, que usam coletes com a inscrição “Apoio” nas costas. Os moradores pagam caro. Na Oriente, por exemplo, as taxas de segurança variam de R$ 40 a R$ 170, de acordo com o tamanho do imóvel. Vítimas que já sofreram agressões, como o aposentado I., de 82 anos, que levou um soco no peito de um assaltante na Rua Laurindo Santos Lobo, são a favor da medida.
“Quem é contra é porque nunca foi assaltado com arma na cabeça, na porta de casa e em plena luz do dia, como eu fui”, endossa o engenheiro J., 47 anos, que mora na Rua Fonseca Guimarães. “Pago pela manutenção da cancela há dois anos, mas com indignação. É uma vergonha chegarmos a esse ponto, pois significa que não podemos contar com a polícia”, justificou a secretária C., 45, moradora da Travessa do Oriente.
OFICIAL ADMITE RISCO PARA TURISTAS
O tenente-coronel Carlos Norberto Mendes afirmou ontem de manhã, em entrevista à Rádio CBN, que a infra-estrutura criada para atrair turistas para o bairro acaba provocando o aumento no número de assaltos.
“Se alguém monta uma estrutura para fazer com que Santa Teresa apareça como ponto turístico e os turistas não são avisados antecipadamente das dificuldades que poderão encontrar no local, da imprudência de se transitar por lá desacompanhados ou ostentando máquinas fotográficas, aumentam muito os riscos de essas pessoas serem vítimas de um delito. E isso acontece muito em Santa Teresa”, declarou o comandante do 1º BPM.
A declaração irritou moradores. “Se a própria polícia pensa dessa forma retrógrada, estamos perdidos mesmo”, ironizou o aposentado L., 56 anos, que nasceu no bairro.
O comandante ressaltou ter reforçado o policiamento ostensivo — de 15 para 30 homens circulando diariamente. Ele frisou que o bairro tem 21 acessos, o que facilita a fuga de bandidos, oito favelas e iluminação deficiente nas ruas.Lâmpadas quebradas a tiros
Durante a reunião de quinta-feira, moradores pediram mais rondas ostensivas e fizeram uma série de denúncias, que serão investigadas pela polícia. Algumas delas referem-se a táticas usadas pelos bandidos para facilitar o ataque a vítimas, como a de quebrar lâmpadas dos postes de iluminação a tiros para deixar as vias escuras. Na esquina das ruas Joaquim Murtinho e Francisco Moratori, há várias lâmpadas destruídas.
O comissário Guilherme Briggs, que no encontro representou o delegado da 7ª DP (Santa Teresa), Marcos Antônio da Silva, comprometeu-se a apurar denúncias de que bandidos desenham caras de gatos nos muros e postes para marcar as casas que, supostamente, seriam alvos fáceis de assaltos por não terem cães.
Os policiais aproveitaram para convidar moradores para participar do Conselho Comunitário de Segurança, que se reúne toda última segunda-feira do mês.
O Dia On Line - 06/10/2007
Bandidos têm até código para roubar
Quadrilha conta com olheiros para desenhar gato em postes perto de casas sem cachorro
Francisco Edson Alves
Rio - Moradores de Santa Teresa estão aterrorizados com a onda de ataques a residências, comércio e pedestres. Segundo a Associação de Moradores e Amigos de Santa Teresa (Amast), os assaltos ocorrem a qualquer hora e se intensificaram nas últimas semanas. Os ladrões usam até códigos desenhados em postes para indicar as casas que, supostamente, seriam mais fáceis de ser invadidas. Ontem à noite, moradores se reuniram com representantes das polícias Civil e Militar para exigir mais segurança.
“Queremos policiamento e investigações aprofundadas para identificar os bandos”, afirmou o diretor da associação, Pedro Cascardo. Em sua página na Internet, a direção da Amast diz que os moradores e turistas vêm sofrendo com “uma sucessão de assaltos, aparentemente praticados pelas mesmas quadrilhas. Seqüestros e roubos a motoristas estão traumatizando e limitando a convivência social”.
A família da advogada M., 62 anos, já foi assaltada 11 vezes em 12 meses. “Já não sei mais a quem pedir socorro. Cansei de pedir proteção à polícia. Das 11 ocorrências registradas na 7ª DP (Santa Teresa), oito foram invasões e três assaltos na porta da minha casa. No último roubo, dia 23, cinco bandidos aparentando ser menores de idade chegaram a fazer roleta-russa na minha cabeça antes de fugir, levando vários pertences”, lembra ela.
TOQUE DE RECOLHER
Na localidade batizada ironicamente pelos moradores de Triângulo das Bermudas, no entroncamento das ruas Joaquim Murtinho e Francisco Moratori, os assaltantes criaram códigos para identificar suas vítimas. Um deles é o desenho da cara de um gato nos postes, que indicaria que em determinado imóvel não há cachorro.
“Os ladrões impuseram até toque de recolher. Depois das 17h30, poucos moradores se arriscam a sair de casa. Eles também usam diferentes formas de assovios para se comunicar, quebram lâmpadas dos postes para escurecer a rua e chegam a ficar escondidos até em galhos de árvores à espera de suas vítimas”, comenta o designer R., 39 anos.
Em muitos casos, os bandidos agem com truculência. “Na sexta-feira, quando chegava em casa, fui abordado por um homem numa moto, com duas armas na cintura. Nervoso, demorei a tirar os R$ 100 que tinha no bolso e levei um tapa no peito”, lamentou o aposentado I., 87 anos, que há seis meses teve seu Fiesta roubado por dois homens armados na Rua Cândido Mendes.
Vizinha de I., a consultora R., 33 anos, além de ser ameaçada, levou um soco no rosto durante um assalto em que o bandido roubou a sua bolsa há 20 dias.
NÚMERO DE DELEGACIA À DISPOSIÇÃO DE DENÚNCIAS
O delegado da 7ª DP (Santa Teresa), Marcos Antônio da Silva, acredita que moradores tenham medo de registrar os casos e colocou o telefone 2242-0013 à disposição para denúncias, mesmo que sejam feitas anonimamente.
De janeiro de 2006 até ontem, apenas 15 registros de assaltos a residências tinham sido feitos na delegacia, segundo o delegado. “Temos feito ações e tirado vários assaltantes de circulação”, afirmou ele. Ontem, foi preso Jaquessom Babo da Silva, de 23 anos, suspeito de cometer diversos roubos no bairro.
MAIS POLICIAMENTO
O comandante do 1º BPM (Estácio), tenente-coronel Carlos Norberto Mendes, declarou que houve reforço de patrulhamento nos últimos dias. Mais 15 homens foram designados para atuar no policiamento ostensivo de Santa Teresa, totalizando 30 policiais diariamente. “Temos atuado em vários pontos que são considerados estratégicos, de acordo com as estatísticas”, garantiu Mendes.
O oficial afirmou desconhecer o suposto toque de recolher na área denunciada pelos moradores. O comandante reconheceu, no entanto, que há dificuldades no patrulhamento do bairro. “Santa Teresa é cercada por oito favelas e parece um labirinto de ruas. Além disso, a iluminação da maioria das ruas é muito deficiente”, alegou o coronel Mendes.O Dia On Line - 05/10/2007
Obras no bonde de Santa Teresa são retomadas
Rio - A Secretaria Estadual de Transportes retomou, neste final de semana, as obras de recuperação da via permanente do Sistema de Bondes de Santa Teresa. Os trabalhos começaram pelo o Ramal Dois Irmãos. Vinte homens, supervisionados por técnicos da secretaria, estão recuperando 400 metros de via entre a Vista Alegre e o Largo do França. Esta primeira etapa será concluída em 30 dias, período em que a circulação de bondes no trecho ficará interrompida no local. A circulação até Vista Alegre, no entanto, vai permanecer inalterada.
A próxima etapa das obras será feita no Ramal Paula Matos, entre o posto de saúde da Rua Áurea e a Rua Oriente. Em seguida, ocorre a recuperação em mais dois trechos: entre o Bar do Mineiro e o Centro Cultural Laurinda Santos Lobo e na Rua Joaquim Murtinho, nas proximidades da Rua Francisco Muratóri. Por fim, começa o segmento mais complexo, no Largo dos Guimarães. A previsão é que, até dezembro, toda a malha de Santa Teresa seja reformada.
O Dia On Line - 17/09/2007 15:54:00
Santa Teresa, charme e bucolismo
O bairro de Santa Teresa nasceu nos arredores de um convento no Morro do Desterro, no Rio de Janeiro, no século 18. O bairro ocupa uma colina no coração da cidade e parece ter parado no tempo, mantendo há dezenas de anos aspectos preservados do Rio Antigo e guardando uma história em cada esquina.
As ruas estreitas e sinuosas por onde passam os velhos bondes, os únicos que ainda circulam em todo o Brasil, são uma peculiar atração do bairro. Os charmosos veículos começaram a circular no século passado, movidos por tração animal e posteriormente por eletricidade. Remanescentes de uma época romântica, foram tombados como patrimônio histórico e ainda passeiam por trilhas perfeitamente preservadas, levando o visitante a uma releitura do passado.
O bonde sai do centro da cidade, passa sobre os Arcos da Lapa e segue a rota do tempo no sobe-e-desce das ladeiras de Santa Tereza. O ponto de partida é a estação no Largo da Carioca. O lugar tem um jardim encantador e revela um pouco do que se vai encontrar nesse passeio. Centros culturais, antigas chácaras, castelos, largos, restaurantes, ateliês, lojas de artesanato. Além das deslumbrantes paisagens ao redor, avista-se no alto o Cristo Redentor, abençoando a Cidade Maravilhosa. Há também o Museu do Bonde, que conta tudo sobre os veículos, exibindo algumas de suas réplicas antigas – verdadeiras relíquias preservadas no tempo.
Igreja e Convento de Santa Teresa
A Igreja e o Convento de Santa Teresa, responsáveis pelo nome do bairro, pertencentes à Ordem das Carmelitas Descalças, abriga religiosas que vivem isoladas e têm pouquíssimo contato com o mundo exterior. A ordem prega a simplicidade, a humildade e a discrição. Poucos moradores afirmam ter visto as freirinhas no bairro.
Largo do Curvelo
O bonde chega à rua Almirante Alexandrino, a mais antiga do bairro. Nela se encontra a Casa Navio, inspirada no convés de uma embarcação, pura ousadia arquitetônica. E é dessa mesma rua que se tem a visão surpreendente do Castelo de Valentim, uma fortaleza erguida em estilo neo-romântico. Construído no final do século 19, foi residência do comendador Antônio Valentim, projetada por seu filho. Hoje o imóvel funciona como prédio de apartamentos.
Largo do Guimarães e Largo das Neves
O bonde entra no coração do bairro. No Largo do Guimarães concentram-se restaurantes e bares, entre eles, Bar do Mineiro, Bar do Arnaudo (comida nordestina), Sobrenatural (frutos do mar) e Adega do Pimenta (alemão). Seguindo os trilhos do bonde chega-se ao Largo das Neves, onde se encontra um belo casario de 1850 e a Igreja de Nossa Senhora das Neves, de 1860.
Parque das Ruínas
O Parque das Ruínas tem um mirante que deixa o Rio de Janeiro aos seus pés. De lá, tem-se uma visão extraordinária do centro da cidade e de toda a orla do Rio – desde o Aeroporto Santos Dumont até a Urca. Logo abaixo estão os Arcos da Lapa. Aberto ao público, o Parque foi o que restou do Palacete Murtinho Nobre, onde morou Laurinda Santos Lobo. A casa foi um dos pontos mais efervescentes da vida cultural carioca até a morte da anfitriã, em 1946. Com três andares, a casa chama atenção por sua arquitetura e estilo - tijolos aparentes combinados harmoniosamente com estruturas metálicas e de vidro.
Centro Cultural Laurinda Santos Lobo
Inaugurado em 1979, este centro cultural presta homenagem a Laurinda Santos Lobo, uma mulher que, no início do século, praticamente comandou a vida intelectual do Rio.
Museu Casa de Benjamin Constant
Belíssima chácara, onde viveu Benjamin Constant, líder do movimento republicano. Sua residência foi transformada em museu e totalmente restaurada com móveis, livros, objetos, fotografias e acervo de artes plásticas. A área que circunda o museu é totalmente arborizada.Museu Chácara do Céu
Raymundo Castro Maya, empresário que se dedicou à vida cultural da cidade como mecenas e colecionador, herdou uma chácara no bairro em 1936. A residência foi projetada em 1957 pelo arquiteto modernista Wladimir Alves de Souza. Lá, funciona agora o Museu Chácara do Céu com acervo com importantes obras de arte moderna, com destaques para as assinadas por Portinari, Di Cavalcanti, Guinard, Picasso, Matisse e Dalí. Em pinturas, aquarelas e gravuras, o Brasil do século 19 é mostrado por viajantes como Debret e Taunay.
Informações:
Estação Carioca - rua Lélio Gama, 65, Centro - Tel: 2240-5709Museu do Bonde - rua Carlos Brant, 14, Santa Teresa - Tel: 2220-1003
Igreja e Convento de Santa Teresa - ladeira de Santa Teresa, 52 - Tel: 2224-2040
Parque das Ruínas - rua Murtinho Nobre, 169 - Tel:2252-1039
Museu Casa de Benjamin Constant - rua Monte Alegre, 225 - Tel: 2509-1248
Centro Cultural Laurinda Santos - rua Monte Alegre, 306 - Tel:2242-9741
Fonte: site da Riotur

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