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| Santa Teresa – Rio de Janeiro |
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Moradores de Santa Teresa debatem segurança em plenária
Segurança privada não é a saída para inibir assaltos
Guia de bens tombados do Inepac - Bondes de Santa Teresa - * Joel Coelho
Sérgio Cabral precisa saber o que estão fazendo com os bondes - * Paulo Saad
Depois do fiasco, bonde “reformado” retorna a Três Rios - * Álvaro Braga
Moradores de Santa Teresa debatem segurança em plenária
A necessidade de policiamento sistemático, realização de investigações para identificar as quadrilhas que agem no bairro e implementação de ações preventivas foram destacadas pelos moradores que participaram, na 5a feira, dia 4 de outubro, de Plenária organizada pela AMAST para discutir a onda de violência que aflige a comunidade.
Estiveram presentes, o comandante do 1º Batalhão da Polícia Militar, coronel Carlos Norberto Mendes, o comissário Guilherme Briggs, da 7ª Delegacia Policial, o inspetor Isídio Xavier dos Santos, da Guarda Municipal, e o chefe de gabinete da subprefeitura, Alexandre Falcão.
Durante o encontro, uma sucessão de relatos de violência, assaltos, roubos e seqüestros-relâmpago sofridos por moradores. A maioria apontava a falta de policiamento ostensivo no bairro como facilitador da ação de assaltantes, bem como falhas na iluminação e falta de poda de árvores.
O presidente da AMAST, Paulo Saad, propôs o estabelecimento de um trabalho preventivo da PM em conjunto com a DP e a Guarda Municipal, mas ficou claro que a mobilização da comunidade é fundamental para que os órgãos responsáveis pela segurança pública dêem as respostas necessárias ao problema.
O comandante Mendes falou sobre o Conselho Comunitário de Segurança, que se reúne toda última 2ª feira do mês (o horário está sendo alterado) na Universidade Estácio de Sá, na rua do Bispo e também sobre o café da manhã, na sede do Batalhão, na rua Salvador de Sá, toda segunda 2a feira, às 10 horas. Esses encontros são abertos à participação popular.
O comissário Briggs fez um relato sobre o trabalho que a Polícia Civil vem desenvolvendo no bairro, disse que há integração com a PM, mas admitiu que a falta de contingente de ambas as instituições é um obstáculo. O mesmo problema foi destacado pelo inspetor Isídio em relação ao contingente da Guarda Municipal no bairro.
O representante da subprefeitura disse que o órgão acionará a Rioluz para verificar as falhas na iluminação e assegurou que a poda de árvores, a cargo de empresas privadas, começará a ser feita. Além disso, Alexandre Falcão informou que a subprefeitura está atuando em parceria com a Secretaria de Urbanismo para erradicar ocupações irregulares e disse que a denúncia, de moradores, sobre a exploração de menores nas ruas do bairro será encaminhada ao serviço de assistência social da prefeitura.
Segurança privada não é a saída para inibir assaltos
Moradores das ruas Monte Alegre, Teresina e Paschoal Carlos Magno, em Santa Teresa, reuniram-se para contratar seguranças particulares a um custo mensal de R$ 40,00 por residência. A informação está no jornal O Globo, caderno Zona Sul, de 06/09/2007, em matéria de Ludmilla de Lima.
A razão, segundo apurou a repórter, é o clima de insegurança nessas ruas, onde vêm ocorrendo, sistematicamente, roubos de veículos. A falta de iluminação adequada é um dos facilitadores da ação dos assaltantes. A Rioluz informou, à repórter, que enviaria uma equipe ao local para verificar o problema.
A repórter apurou ainda que casos de roubo e furto de veículos aumentaram 34% do primeiro para o segundo trimestre deste ano na área da 7ª DP. Entrevistado, o comandante do 1º BPM, tenente-coronel Carlos Norberto Mendes, disse que o policiamento foi reforçado nas ruas citadas e afirmou que apoia a contratação de seguranças particulares.
A AMAST não concorda com essa posição por entender que a segurança pública é um direito do cidadão e um dever (exclusivo) do Estado. É compreensível a apreensão dos moradores, que se sentem acuados diante da violência, mas contratar seguranças particulares não é a solução. Aliás, pode, ao contrário, aumentar o problema.
Será desejável confrontos entre bandidos e seguranças armados na porta de nossas casas? Será que esses seguranças têm o preparo necessário para lidar com situações de risco para transeuntes? Vivemos numa cidade de balas perdidas. Será que, ao investir em segurança privada, não estamos contribuindo para agravar esse quadro?
Nós queremos segurança e devemos exigi-la, sim, mas do Poder Público.
Guia de bens tombados do Inepac
Bondes de Santa Teresa
* Joel Coelho
No do Processo:E-03/31.269/83 - Tombamento Provisório:19.10.1983 - Tombamento Definitivo: 08.04.1988
Descrição no livro de tombo
O tombamento inclui todo o sistema de transporte, inclusive os trilhos, mecanismos e acessórios ligados ao funcionamento dos bondinhos abertos (as duas linhas em que trafegam os bondes: Dois Irmãos e Paula Mattos, esta última chegando ao Corpo de Bombeiros – bairro de Santa Teresa – e Centro), bem como a garagem e oficina situados no final do pequeno ramal que sai do largo do Guimarães. O bonde de Santa Teresa, que circula nas ruas e ladeiras do bairro ou sobre o aqueduto da Carioca, é traço de cultura inseparável da belíssima paisagem do Rio, incorporado aos costumes e ao espírito daquela comunidade que, desde a década de 1970, pedia a sua preservação . O traçado das linhas de Santa Teresa foi estabelecido em 1872, utilizando-se bondes a tração animal. Somente em 1886 o sistema foi eletrificado. Os bondes foram extintos em 1964, permanecendo os de Santa Teresa como últimos remanescentes de um tipo de transporte coletivo que marcou o desenvolvimento da cidade durante décadas.
O tombamento inclui todo o sistema de transporte, trilhos, mecanismos e acessórios ligados ao funcionamento dos bondinhos abertos, a garagem e oficina situados junto ao Largo do Guimarães.
http://www.inepac.rj.gov.br/modules.php?name=Guia&file=consulta_detalhe_bem&idbem=387
* Joel Coelho é diretor da Amast
Sérgio
Cabral precisa saber o
que estão fazendo com os bondes
* Paulo Saad
A volta do "truck" do bonde às oficinas em Três Rios é apenas mais um capítulo de uma novela anunciada há muito tempo. Tudo que falamos sobre a aventura tecnológica, o descaso com o bonde como transporte coletivo dos moradores do bairro não foi peça de retórica.
O que acontece é a montagem e teste de um novo bonde. O bondinho elétrico de 111 anos foi sorrateiramente descartado desde o início pela Central Logística, empresa do governo do estado do Rio, por decisão da ex-governadora Rosinha Matheus.
O problema é que, como as intenções não são confessáveis, as previsões não são explicitadas publicamente. O acordo entre engenheiros e administradores do estado e Ttrans – empresa contratada para “reformar” os bondes – foi baseado em intenções empresariais e comerciais que ultrapassam as questões relativas a Santa Teresa.
Construir um bonde novo, tipo VLT, usando dinheiro do estado e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (Bird) com base na demanda do povo de Santa Teresa, "administrando" a revolta do povo com promessas que não serão cumpridas foi a estratégia desde o início.
Há apenas dois bondes circulando e muitos turistas para atender. Tentam forçar a mudança de hábitos dos moradores, querem que desistamos do bonde. Querem, a qualquer custo, viabilizar a privatização. Sintomas disso são a demissão sistemática de operários responsáveis pela operação e manutenção do sistema tentando quebrar as resistências e a decisão da Central de não consertar os três bondes que estão parados na garagem.
A manutenção desse novo bonde montado em Três Rios, na T-Trans, será um problema sério cuja solução encaminha-se para uma provável terceirização. Como a privatização não é viável no quadro atual, a proposta é encaminhada sorrateiramente. Negada em notas oficiais, é defendida abertamente pelo secretario estadual de Transportes Júlio Lopes.
A situação é grave e exige uma resposta do governador Sérgio Cabral. Buscar essa resposta deve ser nosso próximo passo. A defesa do bonde como nosso principal serviço público de transporte coletivo só progredirá se chegarmos ao governador para denunciar os abusos que vêm sendo cometidos contra a população de Santa Teresa no que se refere ao transporte público, em especial, aos nossos bondes.
* Paulo Saad é presidente da Amast
Depois do fiasco, bonde “reformado” retorna a Três Rios
* Álvaro Braga
Mais um triste
episódio da melancólica novela em que se transformou o processo
de reforma dos nossos bondinhos, por culpa da arrogância que vem revestindo
o comportamento das autoridades da Secretaria Estadual de Transportes.
Hoje, no final da tarde, fui à garagem dos bondes e vi que o "truck"
do bonde novo, seu chassi, havia sido desatrelado da sua estrutura de madeira.
Apurei que após, dois anos de estudos, após meses de várias
vãs tentativas de acertos e frustradas adaptações o pessoal
da Ttrans (empresa responsável pela reforma dos bondes) resolveu reconduzir
o truck modificado para as suas oficinas. Por volta das 18.30 horas testemunhei
que ele foi levado de novo até Três Rios.
Toda esta frustração se deu (se dá) porque as autoridades
"responsáveis" não optaram por respeitarem o espírito
do tombamento do sistema de bondes (1988).
Gostaria de saber por que as autoridades não trilharam o caminho mais
barato e fiável, que seria o da manutenção da tecnologia
tradicional. Porque os bondes não foram reformados na garagem da Carlos
Brandt? Porque não se espelharam na experiência bem sucedida
que foi a gestão do engenheiro Bernardo Stille?
Na década de 90, utilizando os parcos recursos disponíveis naquela
ocasião, Stille nos legou dez bondes totalmente renovados, privilegiando
a tecnologia tradicional testada e aprovada através de décadas
de uso e prestigiando os trabalhadores da garagem que efetivamente trabalham
para e pelo bonde.
Em suma, gostaria de saber por que tanta insistência em desprezar a
tecnologia tradicional que é: simples, robusta, comprovada e 2/3 mais
barata...
Aliás, como pôde o Inepac (Instituto Estadual do Patrimônio
Artístico e Cultural) aprovar um projeto que modifica tanto o "mecanismo",
quanto a "aparência" do bondinho? ( se é que, efetivamente,
todo o trâmite necessário à aprovação do
projeto, foi realmente observado pelo Inepac). Acredito que o projeto do "bonde
novo", em curso e sob a responsabilidade da Setrans (Secretaria de Transportes
do Estado do Rio), desrespeita tanto o decreto de tombamento, quanto o "Termo
de Ajuste de Conduta" assinado pela Secretaria com o Ministério
Público e do qual o Inepac foi fiador.
Santa Teresa confia que, seja no Ministério Público ou em juízo,
os fatos serão apurados e este processo será devidamente retificado.
Unidos, os moradores farão as coisas entrarem nos trilhos.
*Álvaro Braga é morador
de Santa Teresa

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